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terça-feira, 24 de maio de 2011

I'm waiting for the day...

...when someone will sing "I'm Waiting for the Day" to me. (Invertendo os sexos, óbvio! hauhauhauh)



P.S.: Perdoem o post ultra-pessoal, mas podem curtir o senhor Brian Wilson, que faz bem! =]

domingo, 30 de janeiro de 2011

It's only HARD & HEAVY but we like it!


Os Stones instituindo a moda glam! =]

Certa vez, eu tive interesse em apresentar alguma coisa do trabalho dos Rolling Stones - pra além de "(I Can't Get No) Satisfaction" - a um amigo fã de hard rock e heavy metal. Sendo eu fã de covers, tributos e afins, organizei então uma compilação com músicas dos Stones que foram regravadas - ou apresentadas em shows - pelas bandas que esse meu amigo curtia ou por quaisquer artistas nessa linha hard/heavy. Alguns desses covers eu nem sequer ouvi - por enquanto -, mas como a intenção era apresentar as versões originais a esse amigo, incluí as tais músicas na compilação.

Alguns desses covers de canções dos Stones feitos por bandas de hard/heavy eram já meus conhecidos, como os que seguem:

Bon Jovi - Tumbling Dice
[Presente no CD Bonus do álbum These Days, de 1995.]




Grand Funk Railroad - Gimme Shelter
[Presente no álbum Survival, de 1971.]



Ao vivo, aqui!


Joan Jett and the Blackhearts - Let It Bleed
[Presente como bônus no álbum de covers The Hit List, de 1990. Talvez a Joan Jett seja melhor classificada como punk do que como hard, mas é realmente difícil classificá-la em um estilo apenas.]




Joan Jett and the Blackhearts - Star Star
[Presente no álbum Album [!!!], de 1983.]




Kiss - 2000 Man
[Presente no álbum Dynasty, de 1979, e também no MTV Unplugged, de 1996, de onde vem essa versão ao vivo.]




Mas então, quero compartilhar agora com quem tiver interessado esses clássicos stoneanos que não apenas inspiraram, mas foram também retrabalhados por grandes nomes do hard e do heavy!

Eis a lista das músicas, cada uma com a indicação de um ou mais nomes do hard/heavy que a tenha[m] regravado:

01- Paint It, Black [Anvil, Deep Purple, W.A.S.P., etc.]
02- Connection [Montrose*]
03- 2000 Man [Kiss, Acid Drinkers]
04- Sympathy for the Devil [Guns 'n' Roses, Ozzy Osbourne, etc.]
05- Gimme Shelter [Grand Funk Railroad, Hawkwind**, etc.]
06- Country Honk (ou "Honky Tonk Women") [Humble Pie, Leslie West, Tesla, etc.]
07- Let It Bleed [Joan Jett and the Blackhearts]
08- Wild Horses [Guns 'n' Roses]
09- Bitch [Wolfgang, Great White, etc.]
10- Dead Flowers [Gilby Clarke***, Poison, etc.]
11- Tumbling Dice [Bon Jovi]
12- Star Star [Joan Jett and the Blackhearts]
13- It's Only Rock 'n' Roll (But I Like It) [Twisted Sister, Bon Jovi, Great White]


* Antiga banda de Sammy Hagar, ex-vocalista do Van Halen.
** Antiga banda de Lemmy Kilmister, líder do Motörhead.
*** Ex-guitarrista do Guns 'n' Roses. Nessa música, ele é acompanhado por Axl Rose nos vocais.

Então, enjoy it! Receba nossa "cópia democrática", como chama o blog parceiro Bolacha and Roll!

It's just a CLICK away! It's just a CLICK away!!!


P.S.: Curioso é que "Hard 'n' Heavy" é o nome do disco do Anvil que contém o cover de "Paint It, Black"! :D

P.S.²: Se vc curtiu os covers de músicas dos Stones, visite o [também] blog parceiro Undercover of the Night! =]

sábado, 22 de janeiro de 2011

Paradigma da Ameba*



No curso de Filosofia, ao menos onde estudo, existe uma discussão recorrente: se a Filosofia deve permanecer como aquele “corpo hermético” ao qual apenas os iluminados têm acesso ou se ela deve descer ao mundo dos homens, fazer-se carne e habitar entre nós. É uma discussão bastante relativa, pois relativo é sempre o julgamento sobre se algo é demasiadamente complexo ou se é simples demais. Mas são esses os termos da discussão: a exposição do pensamento filosófico deve adequar-se à mentalidade daqueles que o buscam, tornando-se algo em certa medida simples e até prazeroso, ou esses desejosos do saber filosófico devem adequar-se à disciplina e ao nível de abstração que a Filosofia requer? É correto vulgarizar o pensamento filosófico?

Aqueles que defendem a vulgarização da Filosofia afirmam que essa mesma Filosofia é algo simples, que pode ser exemplificado ou até aplicado no dia-a-dia. Se a maior parte das produções filosóficas é inacessível ao grosso da população, isso não se deve a uma característica da própria Filosofia, mas aos filósofos, por não se preocuparem com – ou talvez evitarem – a divulga(riza)ção de seu pensamento, e tal inacessibilidade das idéias se dá por conta de seu estilo ou de uma opinião errônea quanto ao modo correto de se expor os argumentos. Caberia então ao professor de Filosofia corrigir essa falha e traduzir o pensamento dos autores em caracteres familiares aos estudantes de Filosofia.

Há, no entanto, uma oposição muito forte a essa ânsia de vulgarização, por parte de alguns professores e estudantes. E eu me incluo nessa linha de oposição. O que se costuma argumentar contra aquele ideal de simplificação é que o pensamento seria “empobrecido”, perder-se-ia a “riqueza” do pensamento filosófico. Isso explica muito pouco. Pior: isso dá uma nova conotação a esse embate. Gera-se uma aparência de confronto entre modelos de pensamento com fundo sociopolítico: uma disputa entre os ideais aristocráticos e os democráticos.

Obviamente que não apenas esse teor alimenta a discussão sobre a (não-)vulgarização da Filosofia, mas talvez essa aparência de confronto sociopolítico interfira na discussão, ainda que de maneira inconsciente. De fato, por mais aristocráticos que sejam nossos estudantes de Filosofia, quando são eles próprios os “oprimidos”, a moral dos chandala[1] se lhes apresenta como ideal.

Há, no entanto, mais elementos – acredito que bem mais importantes e decisivos – que impulsionam esse desejo de que os filósofos desçam do Olimpo. Em primeiro lugar, a observação provou que não existe Olimpo, e os deuses, refugiados de seu lar original, não conseguiram fugir à perseguição implacável da experimentação e do método científico: foram mandados pra fora desse mundo[2]. A Filosofia, então, não mais pode contar com o auxílio divino, e não há mais um Céu onde ela reina soberana: o céu foi dominado pela Astronomia, e cabe à Filosofia dominar outros espaços! Desculpem-me o excesso de poesia. Não devo esquecer que, por enquanto, a Filosofia deixou de ser um corpo hermético! O que quero dizer é apenas que um dos elementos que geram nas mentes o desejo de vulgarização da Filosofia é que ela deve ser tão demonstrável e até aplicável quanto a Ciência Moderna.

Mais um aspecto deve ser notado, e ele é tão importante quanto o anterior: o mundo tornou-se Belo! Não que o mundo fosse Feio. O mundo tornou-se Belo assim como o Sol tornou-se Sol: ele não é mais qualquer coisa senão o Sol! Não é mais um Deus, ou o que seja. Assim também o mundo. Todos ainda alimentam ilusões morais, cognitivas, mas nos comportamentos do dia-a-dia, uma só verdade impera: a verdade do Belo. E quão bela é a vulgarização! Ela atinge nosso mais íntimo e nos emociona. Ficamos emocionados, comovidos ao extremo, ao ver aquele Deus que morre na cruz por nossos pecados! Ficamos extasiados, como quando apreciamos aquele magnífico quadro chamado “Fim da Metafísica”. E não poderia ser diferente. Que espécie de amor se pode dedicar a figuras abstratas? A Filosofia, pra que a sintamos, deve habitar em nosso meio. Onde dois ou mais se reunirem em seu nome, ali ela deve se fazer presente!

São esses alguns aspectos – quase sempre inconscientes – que cercam a questão de que tratamos. Eles surgem do próprio nome daquilo que se discute: “vulgarização”. Tornar a Filosofia algo “vulgar”, algo pertencente ou acessível ao “vulgo”, ao “povo”. Mas que povo é esse? Por que a Filosofia deve tornar-se algo apropriado pelo povo? Por que a iniciativa da apropriação deve partir da Filosofia? Por que tal iniciativa deve vir no sentido que se propõe, da simplificação – tão extrema quanto seja necessário – de seu conteúdo?

O mundo se tornou obra de arte, e obras de arte são polissêmicas. A polissemia, por sua vez, tem efeitos positivos e negativos, dependendo sempre do espírito do seu observador. Com efeito, ela pode conduzir à multiplicidade de sentidos, é essa sua natureza. Mas ela pode ser heteronomizada: o espírito unilateral irá conduzir o objeto polissêmico ao seu vetor próprio, como sentido único. Assim se dá com o ideal de democracia. De fato, a democracia tem sido tomada como vulgarização. A ascensão do povo ao posto de sujeito livre da História parece exigir que todas as realidades mais superiores desçam ao nível em que se encontra a humanidade. Deus deve tornar-se homem, em vez de os homens se tornarem deuses. A perspectiva pode ser a de que o Messias redimirá os homens e lhes levará ao caminho da salvação, pelo qual unicamente cada homem poderá ser Um com o Pai. Assim, a Filosofia, simplificada, vulgarizada, torna-se instrumento da luta dos homens, podendo erguê-los ao Olimpo, onde então a Filosofia, com toda a sua riqueza, não será mais um corpo hermético.

Isso é muito lindo. O leitor deve ter ido às lágrimas com esse relato bíblico. Mas ele é real? Ou não seria mais uma invenção dos “primeiros cristãos”? Quando digo “real”, não o digo no sentido do fato, daquilo que se apresenta como realidade efetiva, material, posta diante dos nossos olhos. O real positivista me enoja! O que eu pergunto é: as coisas podem se dar dessa forma? Será que o povo, pra se tornar sujeito livre da História lançando mão da Filosofia, não precisaria ter se tornado um sujeito da História?



Aquele que entende democratização como vulgarização talvez não perceba que, à medida que se desce o Monte Olimpo, mudam os ares, nada é o mesmo. O desejo psicótico de simplificar a Filosofia, o paradigma da ameba, não percebe que a simplificação não é simples tradução. Ele não percebe o próprio sentido do instrumento, da instrumentalidade. (Talvez seja preciso assistir MacGyver e inteirar-se desse sentido. De preferência, que se assista em rotação invertida.)

Quando um Deus passa a conviver entre os homens, ele não permanece inalterado. Perde-se algo. Perde-se muito. Perde-se, talvez, o essencial. O real é que um Deus que se faz carne pode realmente acabar na cruz!


Rush - Tom Sawyer [Música de abertura da série "Profissão Perigo" ou "MacGyver".]

* A expressão não é minha. Foi usada pelo professor Expedito Passos em uma aula de que participei, e eu tô utilizando livremente.



[1] Na visão de Nietzsche, a democracia e a moral cristã seriam uma “moral de escravos”. O termo chandala designa a classe mais baixa da sociedade indiana, portanto os escravos, e é correntemente usado por Nietzsche em seu O Anticristo.


[2] Em certa medida, pra algumas pessoas, eles o foram literalmente, como se pode ver em documentos como o livro Eram os Deuses astronautas?

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Um post a ser lido de cima p/ baixo

Sou um cara cheio de manias chatas. Tenho até um amigo de Rondônia que diz que eu pareço um velho, tão cheio de manias. Uma dessas manias chatas é a de sempre que for assistir um filme evitar saber qualquer detalhezinho, ainda que seja a primeira cena. A maior parte das pessoas com quem convivo não vê problema algum em saber ainda que seja o final do filme, então isso já me rendeu situações bem chatas. Portanto, vou tentar aqui expor os motivos pelos quais eu considero de extrema importância a ignorância acerca do enredo de um filme ou do que seja.

É sabido que o tabu do final do filme, do spoiler, é algo típico do cinema comum, especialmente o cinema comercial hollywoodiano. Lembro de uma palestra sobre Música e Cinema que assisti na UECE, onde o professor Ewelter exibia uma cena do filme italiano Ladrões de Bicicleta e, ao final da cena, comentava sobre o filme. Ele hesitou um pouco em contar o final, mas logo se auto-repreendeu, afirmando que o final do filme não era o mais importante, isso era importante com Hollywood apenas. Foi talvez o primeiro momento em que me foi apresentada essa nova visão da arte do cinema, que levava em conta mais a forma como se apresentava a história do que propriamente a história.



É óbvio que nesse sentido eu concordo com o relativo 'desprezo' que se tem pelo enredo, pois, na medida em que se fica preso a ele, termina-se perdendo de vista os demais aspectos da construção do filme, os quais são os reais constituidores da arte do cinema. Isso, em se tratando de cinema arte.

Quando passamos ao cinema comercial, baseado em padrões pré-estabelecidos de produção e filmagem, e cujo principal intuito é realmente apresentar a história da mesma forma como apresentaria qualquer outra, o argumento cai por terra. Em Hollywood, o que conta é a história do filme - mas é óbvio que há filmes onde o que mais importa é a mensagem por trás da história.



Agora, é a vez de pensar se isso seria realmente assim: se seríamos tolos de nos preocupar com não saber certo detalhe da história pra não comprometer o momento de finalmente assistir ao filme. Eu acredito que o conhecimento prévio do enredo do filme seja prejudicial em ambos os casos, ainda que se trate de Cinema arte! Mas por quê?



Você não sabe? Pense, vamos lá!




Qual o problema? Arrisque um palpite!



Nenhum palpite?

É bom inventar algum, pois eu decidi não contar os meus porquês.
Assista esse videozinho enquanto pensa.
Até. =]

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Ooohh, Western Woman...

Todo ser finito é contraditório. Eu tenho mais de 1,80m, mas isso não faz de mim um ser infinito. Não, não faz. Portanto, após uma postagem de extremo patriotismo e até uma certa dose de xenofobia e ódio à cultura estadunidense, como foi a postagem anterior, sobre a morte do músico Paulo Moura, venho com essa nova postagem contradizer minha postura anterior e jogar no lixo tudo o que aprendi com o Mestre Plínio Salgado e todos os meus planos de levar a nação brasileira ao patamar de maior potência mundial em todos os aspectos, sejam culturais, políticos, sociais ou econômicos! Mas vamo pro que interessa...

Se as pessoas costumassem freqüentar meu blog, eu teria medo dos comentários a essa postagem, pois quando comentei sobre o assunto em questão com um amigo, ele perguntou quantos eu fumo por dia! =/

Fato é que, de uns tempos pra cá, eu me reencantei com uma pequena maravilha chamada música country, conhecida nos States como Western and Country Music, ou coisa do tipo. O country, segundo meus parcos conhecimentos de história da música - sem saco pra wikipedia agora... -, é um estilo musical originado nos EUA pela fusão de elementos de origens diversas, recebendo influências da música de diversos povos europeus, africanos e americanos*. Inclusive, é algo que deve ser enfatizado: a música country não é uma música puramente branca, nem "vermelha e branca". Os africanos trazidos à força pra América não só participaram do desenvolvimento da música country, como o banjo, aquele instrumento tocado pelo Doug Funnie, instrumento característico desse estilo musical, tem suas raízes em plena África Ocidental. Sim, amiguinh@, sei que é uma realidade dura de aceitar, mas a África não se resume a tambores.


Olha só o Costelinha dançando country!

Mas, voltando, não sei exatamente quando a febre do country me pegou de vez. Provavelmente tudo começou com o disco Sweetheart of the Rodeo, dos Byrds, ou talvez com os discos dos Rolling Stones. Mas não é esse exatamente o ponto que essa postagem pretende abordar. O que acontece, na verdade, é que ultimamente eu peguei uma mania bem interessante: cantar as músicas de algumas das minhas bandas preferidas com uma levada country music, imaginando um instrumental típico me acompanhando.

Fiz bastante isso com os Rolling Stones, mas isso não é de se espantar... Seguindo os passos de seu Grande Mestre Chuck Berry, que em 1955 gravou "Maybellene", uma versão R&B - ou 'rock 'n' roll', como queiram - da canção country "Ida Red", os Stones insistiram nessa linha, criando sua sonoridade típica, a legítima sonoridade 'rockeira', a partir da bluesificação do country e/ou da countryficação do blues! Além disso, eu não fui o primeiro a fazer essas versões. Muita gente fez isso e até registrou. Ganhou até dinheiro vendendo disco! Falo, por exemplo, de Waylon Jennings, que em seu disco Singer of Sad Songs, de 1970, nos oferece uma versão country de "Honky Tonk Women". Ta, essa é muito óbvia! Até os Stones gravaram ela como um mais puro country no seu disco Let It Bleed, sob o sugestivo título de "Country Honk", como se fosse preciso ser ainda mais sugestivo. Mas há, por exemplo, a versão pra "Dead Flowers" feita pelo artista de country-folk Townes Van Zandt em seu disco Roadsongs, de 1994, e se você deseja uma menos óbvia ainda, há a versão de Ramblin' Jack Elliott pra "Connection", em seu disco The Long Ride, de 1999. Há até um disco chamado Stone Country, apenas com músicas da banda interpretadas por artistas country.


Keith Richards, provavelmente tocando um bom country!

A descoberta do dia, no entanto, foi quando resolvi fazer um country com algumas músicas de Roger Waters, o gênio por trás da maior parte dos grandes discos do Pink Floyd. Num é que deu certo?! Enquanto que no Pink Floyd o Waters criava seus temas sobre uma base essencialmente blueseira, em sua carreira-solo ele se deixou levar pelos "cavalos selvagens" da country music! Tudo começou com a faixa de abertura do meu disco favorito da carreira-solo dele, o Radio K.A.O.S. A canção se chama "Radio Waves" e possui uma sonoridade bem oitentista, nada em seu som que remeta diretamente a cowboys, ranchos, famílias caipiras ou coisa do tipo. Não tem banjo na música, ou pelo menos não é tão audível quanto o do Doug. Apesar disso, bem próximo do término da música, o Waters canta uma melodiazinha um tanto diferente do tema básico da música, a qual inicia com o verso "Oklahoma City, radio waves". Talvez algo em meu subconsciente tenha associado isso com a canção country "Oklahoma Hills", mas a verdade é que não é preciso. Pra mim, esse trecho é country até a chinela! O Waters deve ter cantado esse trecho montado num touro mecânico! Mas então... Com base nessa associação nada óbvia num primeiro momento, entre Roger Waters e country music, resolvi cantar o restante de "Radio Waves" como um country e tudo soou perfeito!

Prossegui então com a tarefa destinada a mim de revelar o lado caipira e bonachão que se esconde por trás da figura melancólica e visionária de Roger Waters! E olha só a música que escolhi: "Amused to Death"! Você pode imaginar que o título, "Entretido até a Morte", faz referência a jogos no saloon, seguidos de um tiroteio, ou qualquer otra coisa do tipo ocorrendo em um cenário de filme italiano de bang-bang. Mas não. O Waters tá falando de TV, de guerra, de política, de religião, ele tá falando de muita coisa, mas definitivamente não é sobre Tex Willer que versa a letra dessa música! Apesar disso, ela soou perfeitamente bem como um country! Pode experimentar aí em casa! [Ou na lan-house, ou onde você tiver...] Mas isso não é tudo. Analisando melhor a música, você irá perceber que a ligação dela com o country tá escondida em uns versinhos inocentes que são até repetidos algumas vezes. São os seguintes versos:

Ooohh, western woman
Ooohh, western girl

"Western"! Eureka! Por isso eu sabia que podia destruir essa música e cantar ela como um country! Vocês não esperavam por essa, eu sei...

Roger Waters se protegendo do frio do Texas.

Ainda uma música do Waters que eu tentei transformar em country foi "Every Stranger's Eyes", do primeiro disco dele após sair do Floyd. Admito que não ficou lá um exemplo perfeito de canção country, mas não deixou de combinar, e a letra dessa música em alguns momentos soa como uma típica letra de música country. Como nos versos:

And now
From where I stand
Upon this hill
I plundered from the pool...

Aliás, vale dizer, From Where I Stand é o título de uma compilação de música country composta apenas de interpretações de artistas negros, dentre os quais cabe destacar DeFord Bailey e Charley Pride. Aqui, você pode ver informações sobre esse disco e pode também comprá-lo, por que não?! =P
Bem, a essa altura você deve tah concordando com o meu amigo e duvidando de minha sanidade. Mas faça como ele: experimente! Não, os baseados não! Experimente imaginar essas músicas como se fossem gravadas na forma de música country! Meu amigo disse que fazia até sentido "Radio Waves" cantada de maneira caipira. Eu disse a ele que fazia perfeito sentido! [Piadinha de última hora! =D]

Agora, se você é um total leigo em Roger Waters, que tal correr atrás da ótima carreira-solo do cara? Que tal começar aqui, pelo The Pros and Cons of Hitch Hiking, de 1984, com Eric Clapton na guitarra? É nesse disco que se encontra a faixa "Every Stranger's Eyes", que você pode conferir nesse video em uma ótima versão ao vivo:






Deixo também o video da faixa-título do disco Amused to Death -numa versão ao vivo de deixar qualquer pessoa realmente apaixonada por música de cabelo em pé -, pra que você também confira esse ótimo disco, mas reafirmando que meu disco favorito do Waters é o Radio K.A.O.S.! Então, por que não adquirir os três? =P






Fica a dica.
Gracias. Axé.

*Recorri à wikipedia pra 'relembrar' o nome de um estilo popular mexicano que teria influenciado no desenvolvimento do country, mas não encontrei nada a respeito... Queima de arquivo? Talvez...